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Puerpério: Os cuidados no pós-parto

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O período do pós-parto, também conhecido como puerpério, é marcado por diversas readaptações do organismo da mulher, que aos poucos vai retornando aos níveis pré-gestacionais.

É um período de grandes modificações que ocorrem no corpo e na mente da mulher, podendo gerar ou não consequências para a saúde. Durante a gravidez o corpo da mulher sofre muitas mudanças que persistem após o parto, e após o trabalho de parto podem surgir algumas repercussões que exigirão cuidados da fisioterapia obstétrica, visando melhorar a saúde e a qualidade de vida da mamãe. É importante que se busque assistência de uma equipe multidisciplinar, para proporcionar segurança e conforto nesse momento de imensas transformações.

O puerpério tem duração de 6 a 8 semanas após o parto, e é classificado em: imediato (1º ao 10º dia), tardio (11º ao 45º dia), e remoto (após 45 dias).

A fisioterapia aplicada a esse momento tem como objetivos educar a mulher quanto ao período puerperal, reeducar a função respiratória, diminuir a dor na região do períneo ou na cicatriz da cesárea, prevenir ou reduzir o edema de membros inferiores, facilitar as funções intestinais, minimizar os efeitos da distensão da musculatura abdominal, promover a estimulação e integração da funcionalidade da musculatura estabilizadora da região lombar e pélvica, fortalecer os músculos do assoalho pélvico, prevenir e tratar as alterações nos sistemas muscular, respiratório, circulatório e prover orientações gerais.

Sabemos que após o parto há uma grande mudança no corpo da mulher, especialmente na postura, na musculatura abdominal e na musculatura do assoalho pélvico. A coluna sofre uma mudança durante o período gestacional, podendo levar a um aumento da lordose lombar e da cifose torácica, devido à alteração do centro de gravidade (a mamãe tende a levar o corpo mais para frente). Logo depois do parto, essas alterações ainda permanecem, podendo piorar com as atividades diárias realizadas com o bebê, como dar banho, carregar e amamentar, quando as mães costumam ficar numa postura errada favorecendo as dores e desconfortos. Essas posturas projetam o tronco mais para frente, favorecendo ainda mais o aumento dessa cifose torácica.

É necessário fazer uma reprogramação cerebral, aumentando a consciência corporal, para que uma nova postura seja adquirida. Através de exercícios e técnicas corretas, podemos mudar esse esquema corporal que foi modificado durante o período gestacional. No abdômen, há um considerável relaxamento da musculatura, devido à redução do volume uterino. A barriguinha fica flácida, podendo gerar consequências negativas, tanto físicas quanto funcionais, como dor lombar, dor pélvica, dentre outras. Aos poucos isso vai melhorando, voltando a sua origem, mas na maioria das mulheres, podem ficar resquícios do período gestacional, como aumento do volume abdominal, flacidez permanente e diástase dos músculos retos abdominais, dentre outros. A musculatura perineal permanece com sua força prejudicada, podendo levar a disfunções pélvicas. Toda gestante é fator de risco para disfunções do assoalho pélvico, e nos casos de parto normal esse risco é ainda maior para quem não realiza um acompanhamento fisioterapêutico, através da preparação perineal. Dentre as disfunções do assoalho pélvico, podemos destacar a incontinência urinária e/ou fecal, prolapso de órgãos pélvicos, dores pélvicas crônicas e disfunções sexuais.

O acompanhamento fisioterapêutico no puerpério torna-se essencial, possibilitando assim um retorno adequado das funções do corpo. Deve ser iniciado o quanto antes, ainda no pós-parto imediato, para que tenhamos um retorno mais rápido e uma recuperação mais eficaz. Recomenda-se que as mamães retornem a prática de exercícios com acompanhamento fisioterapêutico aos poucos e o mais precocemente possível, para evitar o surgimento ou piora de sintomas como dor lombar e cintura pélvica, dor perineal, incontinência urinária ou fecal, disfunções de músculos do assoalho pélvico e abdominais e diástase do reto abdominal.

Um programa de exercícios individuais, técnicas específicas, que sejam supervisionados e direcionados por profissionais especializados.

Com isso teremos um retorno mais rápido às condições pré-gestacionais. Teremos mães saudáveis, proporcionando um equilíbrio entre o corpo e a mente.

por Larissa Aguiar
Fisioterapeuta e Educadora Perinatal

2 thoughts on “Puerpério: Os cuidados no pós-parto

  1. Marília Desenso

    Excelente dicas sobre a candidíase, estava procurando maiores informações e foi aqui no seu blog que encontrei, muito obrigada pelas dicas, vou começar a colocar em prática para começar o meu tratamento.

    Responder

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